Com a adesão
à União Européia os poloneses ligavam
tanto esperanças como temores. A maior inquietação
despertavam as mudanças na agricultura, no comércio
e no mercado de trabalho. O primeiro ano da adesão
permitiu, pelo menos parcialmente, verificar as expectativas
relacionadas com o alargamento da UE.
Agricultura
Em resultado da adesão, os agricultores poloneses foram
abrangidos por todos os instrumentos da Política Agrária
Comum. Tornaram-se beneficiários de pagamentos suplementares
diretos, cujo nível é, no entanto, inferior
ao dos países da antiga UE. Nos anos 2004, 2005 e 2006,
foram, correspondentemente, de 25%, 30% e 35%, do apoio à
agricultura dos "quinze". Por força do tratado
de adesão, os recursos acima (procedentes do orçamento
comunitário) podem ser complementados com pagamentos
nacionais até o nível de 55%, 60% e 65% do apoio
da "antiga" UE e tal nível de pagamento é
aplicado na Polônia.
Os pagamentos diretos cabem aos produtores agrários
que possuem terras agrárias com área acima de
1 h. Em 2004, a taxa de pagamento uniforme por área,
atribuída a todos os produtores que mantinham os solos
em bom nível de cultura agrária e com preservação
dos requisitos da proteção do meio ambiente,
alcançava a quantia de PLN 210,53 por hectar. Essa
quantia podia ser acrescida do chamado pagamento suplementar,
atribuído, entretanto, somente a determinado
tipo de produção agrária (não
cabia, por exemplo, ao cultivo de beterraba açucareira
ou de batatas, além das féculas).
Os requerimentos para atribuição de pagamento
eram apresentados, pelos agricultores, à Agência
de Reestruturação e Modernização
da Agricultura (ARMA), já a partir de 15 de abril de
2004. Até o dia 15 de abril de 2005, a ARMA pagou,
nos quadros do pagamento uniforme por área e dos pagamentos
complementares a soma de PLN 6.118,4 milhões em favor
de 1.361 beneficiários e PLN 1.078,8 milhões
de pagamento para agricultores que desenvolvem atividade em
áreas com condições desfavoráveis.
Outro instrumento de apoio à agricultura é o
Plano de Desenvolvimento das Áreas Rurais. Nos anos
2004-2006, para a realização do Plano está
prevista uma quantia de 3.592,4 milhões de euros, dos
quais cerca de 80% constituem recursos provenientes da UE.
Os agricultores podem requerer também apoio dos fundos
estruturais nos quadros do Programa Operacional Setorial "Reestruturação
e modernização do setor alimentar e desenvolvimento
de áreas rurais". Nos anos 2004-2006, para aproveitamento
encontram-se à disposição 1.784,15 milhões
de euros, dos quais cerca de dois terços constituem
recursos da UE e um terço recursos provenientes do
orçamento nacional. No caso da maioria das ações
realizadas pelos fundos estruturais, indispensável
é o co-financiamento da parte dos beneficiários.
O nível desse co-financiamento é diferenciado,
dependentemente do tipo de apoio.
O Programa Operacional Setorial prevê apoio, entre outras,
para as seguintes atividades:
investimentos nas propriedades agrárias, facilidades
no início para os agricultores jovens, treinamento,
assessoria agrícola, melhoria dos processos de transformação
e do marketing dos artigos agrários.
Após 01 de maio de 2004, os agricultores poloneses
foram também abrangidos pelos mecanismos comunitários
de comércio exterior. Pela gestão da comercialização
com o exterior de produtos agro-alimentares responsável
é a Agência do Mercado Agrário (AMR).
A AMR ocupa-se, entre outras coisas, da emissão e controle
das permissões para importação e exportação,
bem como dos certificados de refinanciamento, pagamento de
refinanciamento de exportação e estipulação
das taxas de exportação. No período de
maio de 2004 a fim de março de 2005, emitiu mais de
5 mil permissões para importação e exportação
(sendo 1.927 permissões para exportação
com refundação), bem como registrou 9.513 de
requerimentos de refinanciamento de exportação.
Nesse período, realizou igualmente pagamento de refundações
de exportação numa quantia total de PLN 200,9
milhões.
A Agência do Mercado Agrário ocupa-se também
de aquisição de intervenção e
da venda de produtos agro-alimentares dentro dos princípios
definidos no âmbito comunitário. A essas tarefas
pertencem a aquisição de intervenção
e a venda de cereais, manteiga, leite magro em pó,
carne de vaca e açúcar.
A agricultura é o ramo no qual, após a adesão,
foram registradas mudanças muito essenciais e favoráveis.
A realização dos subsídios diretos iniciou-se
praticamente já em dezembro de 2004; gradualmente,
começa o apoio no contexto do Plano de Desenvolvimento
das Áreas Rurais e do Programa Operacional Setorial.
No entanto, deve-se adicionar que, juntamente com o crescimento
dos rendimentos dos agricultores, ocorreu após a adesão
o crescimento dos custos da produção agrária,
resultante do aumento de preços dos combustíveis,
adubos minerais e de outros meios de produção
agrícola. Embora a adesão da Polônia à
UE seja avaliada, de uma maneira geral, de forma positiva
pela maioria dos meios agrícolas, esses decididamente
recusam-se a ver nos agricultores os maiores beneficiários
dos programas e fundos de ajuda. Pelos efeitos do apoio que
o campo recebeu no primeiro ano da integração
será necessário aguardar
ainda alguns anos.
Espírito empreendedor
Após a entrada da Polônia na União Européia,
modificaram-se as condições de atuação
das empresas polonesas. As novas regulamentações,
provenientes da adoção do acquis communautaire,
referiram-se, entre outras, ao comércio exterior (tanto
com a União Européia como com paísesterceiros,
ver pto.VIII), a impostos (novas regulamentações
no campo do "excise" - imposto de consumo, do imposto
sobre mercadorias e serviços), a normas no domínio
da proteção do meio ambiente e da segurança
e higiene do trabalho, e aos requisitos técnicos (marca
CE).
No que toca à aproximação dos requisitos
técnicos comunitários, apesar dos - às
vezes - elevados custos relacionados com a obtenção
de certificados que permitem a entrada de mercadorias no mercado
uniforme, a maior parte das firmas conseguiu realizar, dentro
do prazo, os investimentos indispensáveis. Contrariamente
aos temores, problema não veio a ser também
a adaptação no campo das normas higiênicas
e de segurança do trabalho. Segundo as pesquisas do
Banco Nacional da Polônia, 60% das firmas enfrentaram
os custos das adaptações aos requisitos comunitários
ainda antes da adesão.
No primeiro ano da adesão, não se confirmaram
também os temores referentes à concorrência
aumentada de parte das firmas dos países da UE. Não
ocorreu a inundação do mercado polonês
por mercadorias procedentes dos Estados-membros. As mercadorias
polonesas revelaram-se atraentes no mercado uniforme, o que
é atestado pelos bons resultados no comércio
intracomunitário (com os países da UE).
A elevada dinâmica de exportação para
os países da UE contribuiu para a diminuição
em 2004 do déficit de intercâmbio com o mercado
comum de 3,3 bilhões de euros para 1,4 bilhão
de euros. Com os 15 países da alargada UE registrou-se
excedente comercial, principalmente com a Grã-Bretanha,
Alemanha, Lituânia e Dinamarca.
Vale observar que nos quatro meses antes da adesão
(janeiro-abril de 2004), as trocas do comércio exterior
foram excepcionalmente elevadas, o que acarretou, entre outras
coisas, temores relacionados com a adesão. Os homens
de negócio previam dificuldades com a obtenção
dos números europeus de identificação
fiscal (cuja falta impossibilitava o desempenho de intercâmbio
comercial no âmbito das Comunidades, após 01
de maio de 2004), como também resultantes da introdução
das novas regras contábeis ou do aumento das tarifas
do IVA.
A prova de que as empresas polonesas se adaptaram rapidamente
às novas condições de funcionamento é
a boa condição financeira das mesmas. Em 2004,
o resultado financeiro bruto nas firmas médias e grandes
(que empregam mais de 49 funcionários) configurou-se
no nível de PLN 75,4 bilhões face aos PLN 30,2
bilhões no ano anterior, sendo que o resultado financeiro
líquido chegou a PLN 60,7 bilhões face aos PLN
18 bilhões no ano anterior. Lucro líquido apresentaram
77,4% de todas empresas (70,6% em 2003).
Infelizmente, o primeiro ano da integração não
trouxe ainda a esperada - por parte dos empresários
poloneses - estabilização e previsão
do entorno jurídico-administrativo. Sob esse aspecto
foi particularmente difícil, pois em conformidade com
a adesão entrou em vigor um grande número de
novos atos jurídicos relacionados com a atividade econômica.
Prevê-se que tão só nos anos seguintes
o seu número sofrerá redução.
A partir do momento do ingresso da Polônia na União
Européia, os empresários poloneses podem candidatar-se
a apoio procedente dos fundos estruturais (cerca de 20% dos
recursos são destinados aos empresários). Até
o final de abril de 2005, recursos do Programa Operacional
Setorial-Crescimento da Competitividade das Empresas (POS-CCE)
foram requeridos por mais de 20 mil autores de projetos, dos
quais a decidida maioria (19.888) dizia respeito à
prioridade do II Apoio direto às empresas10. Para realizações
nos quadros da Prioridade I, foram aprovados 158 requerimentos
no valor de mais de PLN 694 milhões, enquanto da Prioridade
II - 1.619 requerimentos para uma quantia de mais de PLN 733
milhões.
A grande parte dos recursos chega às empresas médias
- 47% (às empresas pequenas 42%; microempresas - 11%).
A maior parte das dotações atribuídas
refere-se a projetos relacionados com aquisição
de máquinas simples.
As microempresas (empregando até 10 funcionários)
podem se candidatar a subsídio proveniente do Programa
Operacional Integrado do Desenvolvimento Regional (nos quadros
da atividade 3.4). Até o final de março de 2005,
foram apresentados 2.731 requerimentos para esses recursos,
num valor conjunto de PLN 161 milhões.
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10 Pelo financiamento suplementar de prioridade I Desenvolvimento
da iniciativa e crescimento de inovações através
do fortalecimento das instituições do entorno
do negócio composto de 567 requerimentos.
11 Para realização do POS-CCE, a União
Européia destinou 1,25 bilhão de euros.
Ocorreu realmente aumento de preços. Em 2004, a inflação
medida pelo índice de preços das mercadorias
e de serviços de consumo foi de 3,5%. Esse indicador
particularmente elevado (acima de 4%) configurou-se nos meses
logo após a entrada na UE. O forte crescimento dos
preços no grupo de produtos agro-alimentares(de 7,8%)
afetou sensivelmente os consumidores O pequeno número
de projetos aprovados para financiamento (quase 9%, no caso
do POS-CCE) atesta, entre outras coisas, as dificuldades das
firmas para preencher os formulários respectivos. Os
erros mais freqüentes cometidos pelos requerentes dizem
respeito às questões formais, resultam do valor
demasiado elevado dos projetos em relação às
possibilidades da empresa e a inadequada classificação
dos custos.
Apesar de tudo, não há receios quanto à
utilização dos fundos estruturais para as empresas
nos anos 2004-2006. Já no momento presente surge a
concepção da destinação dos recursos
no seguinte período de programação (2007-2013).
As mudanças de procedimento em exame são a eventual
limitação do número de anexos aos requerimentos,
a promoção individualizada das ações,
a introdução da possibilidade de correção
ou complementação dos requerimentos, bem como
maior engajamento dos parceiros sociais no processo de programação
e avaliação dos projetos.
Economia e afluxos financeiros
O ano 2004 foi um ano excepcionalmente bom para a economia
polonesa. O ritmo de crescimento econômico alcançou
5,3%, sendo que no primeiro semestre foi de mais de 6%. No
período janeiro-junho, aumentou rapidamente o consumo
individual, o que estava ligado com o crescimento dos preços
previsto com a adesão à UE.

poloneses12. Cresceu espetacularmente o preço do açúcar
- 67,1%, à escala de todo o ano. Em resultado da acrescida
demanda no exterior e da queda da oferta no país, teve-se
também de se pagar mais pela carne (os preços
da carne de vaca cresceram em 39,7%, da carne de porco - em
20,2%, de aves - em 13,2%, de frios e derivados de carne -
em 12,6%).
Em resultado do acesso, mas, mais estritamente, por causa
do aumento da tarifa do IVA (de 7% para 22%), o crescimento
dos preços afetou igualmente os materiais para renovação
de habitações (em 14%).
Ao mesmo tempo, no entanto, por causa do aumento da inflação
ocorreu, em 2004, o crescimento nominal da remuneração
média mensal na economia nacional (em mais de 4%),
o que veio suavizar os efeitos do crescimento dos preços
de bens e serviços.
No primeiro ano da adesão, a Polônia alcançou
a posição de beneficiário líquido
nas regulações de conta com o orçamento
comunitário. O ano de 2004 encerrou-se para a Polônia
com resultado positivo nas regulações, no total,
com um valor de mais de 1,5 bilhão de euros.
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12 O orçamento doméstico médio na
Polônia destina aos alimentos quase 30% de todos os
gastos.

A partir de 01 de maio de 2004, a Polônia obteve acesso
aos recursos transmitidos nos quadros das diversas políticas
da UE. A maior quantia dos subsídios provenientes do
orçamento comunitário, além das transferências
dos fundos de pré-adesão, afluiu em forma de
pagamentos antecipados para os fundos estruturais (840.975
milhões de euros).
Considerando o fato de que todos os pagamentos efetuados ao
orçamento comunitário são despesas do
orçamento do Estado e que somente duas das receitas
previstas - seus rendimentos, o saldo das prestações
de contas do orçamento do Estado no final de 2004 foi
negativo e atingiu -594.268 milhões de euros13.
A integração na União Européia
tem para a Polônia enorme significado. Trata-se de uma
decisão de dimensão estratégica, que
muda completamente as condições de funcionamento
do país. A integração constitui a garantia
de segurança do Estado e do respeito da ordem política
democrática. O aumento da fidedignidade da Polônia
no âmbito internacional, que é efeito da adesão
da Polônia à União Européia, deve
contribuir para o afluxo adicional de investimentos diretos
estrangeiros ao nosso país (já em 2004 observou-se
o seu afluxo intensificado).
Ao mesmo tempo, a entrada na União Européia
constitui um enorme desafio para os agentes econômicos
poloneses. Concorrem agora diretamente com as empresas comunitárias
que frequentemente dispõem de vantagens financeira
e de marketing. Contudo, as firmas polonesas passaram, nos
últimos anos, por inúmeras transformações
estruturais e de capital, que lhes possibilitam uma rivalidade
mais equiparada com as firmas dos demais Estados da UE.
A maior parte dos temores que os poloneses manifestavam antes
da entrada na União Européia, após 12
meses de integração, revelou-se serem infundados.
As preparações difíceis e longas para
a adesão permitiram uma passagem fluente para o novo
sistema econômico e uma rápida adaptação
às novas condições.
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13 As receitas provenientes do orçamento comunitário
são utilizadas em favor dos beneficiários finais
dos recursos (governos locais, agricultores, empresários,
etc).
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